Qualidade para todos

Acredito que a busca por uma educação igualitária para todos os brasileiros deve levar em conta alguns fatores, que detalho aqui.

- A articulação entre educação, políticas sociais e equipamentos públicos nos territórios. Isso implica, por exemplo, na articulação das políticas sociais com a escola, começando com oferta de creches e educação infantil. Outro ponto importante é a possibilidade de uma educação integral que faça uso de espaços como clubes, centros culturais, bibliotecas e parques, além da ação conjunta da educação com políticas de assistência social, saúde, esporte e cultura;

- Currículos e metodologias mais adequados ao mundo contemporâneo e à realidade escolar. Torna-se necessário repensar um currículo mais adequado e, por isso, mais consistente, levando em conta o cenário atual com diferentes fontes de acesso ao conhecimento, que se reflete na necessidade de aprender a analisar e a discriminar a avalanche de informações a que todos estão expostos. Essa mudança exige que se incorpore ao currículo elementos como história, valores da arte e costumes das comunidades em que a escola está inserida.

- Políticas específicas para escolas em territórios de alta vulnerabilidade social. O ponto de partida é que se reconheça a necessidade da implementação de um conjunto de políticas especificas que tenham como foco a priorização da equidade social.

- Apoio pedagógico e acompanhamento próximo dos alunos com maiores dificuldades de aprendizado. Há um consenso que todas as crianças têm capacidade de aprender, desde que respeitados seu ritmo e formas de aprendizagem. Para tanto, é importante que a evolução das crianças seja acompanhada de perto, o que demanda um ambiente escolar organizado em função do ensino com foco na aprendizagem. Isso pode implicar na realização de reforço escolar, na presença de um professor comunitário e de um orientador educacional, entre outras possibilidades, que têm enorme impacto positivo na aprendizagem dos alunos.

- O professor como centro para educação de qualidade. É necessário pensar uma formação inicial e continuada de forma articulada e integrada ao currículo e às novas configurações da escola, além de oferecer suporte específico para o atendimento às necessidades específicas dos alunos. Outro ponto crucial é a garantia de salários dignos com o objetivo de atrair bons profissionais para essa carreira.

- Reconhecimento das potencialidades individuais. As políticas educacionais devem enfrentar o fatalismo, traço comum encontrado em famílias pobres marcadas pela resignação, e lançar um olhar para todos os seus alunos de forma a desvelar suas potencialidades e oferecer oportunidades de seu desenvolvimento, além de entender a realidade sociocultural dessas crianças e adolescentes e suas famílias.

- Foco na formação do aluno para o pleno usufruto de sua cidadania baseada na convivência social. Como espaço da construção da cidadania, a escola deve funcionar como vetor para a aprendizagem de normas e práticas que reflitam esse diálogo de convivência, o respeito às diferenças e ser permeada pelo reconhecimento do outro como sujeito de direitos. Uma sociedade mais justa e com equidade exige que todos os indivíduos sejam reconhecidos em sua dignidade pessoal e os diferentes grupos sociais aceitos e respeitados em suas diferenças materiais e simbólicas.

5 Comentários para “Qualidade para todos”

  1. Chagas de paula disse:

    Acrescento: Estrutura Organizacional,Planejamento,técnicas de ensino e critérios de avaliação.

    • Neca Setubal disse:

      Realmente essa estruração, planejamento e avaliação são muito importantes para que as atividades na escola possam acontecer de forma correta.

  2. Helder Batista Souza disse:

    Concordo plenamente com a autora do artigo e com os acréscimos do primeiro comentarista. Gostaria apenas de complementar tudo isto com a necessidade de um diagnóstico atualizado e de boa qualidade da educação e não maquiado para atender exclusivamente interesses políticos.

    • Neca Setubal disse:

      Oi Helder
      Um bom diagnóstico faz com que o ensino se aproxime da realidade dos alunos e portanto com muito mais chances de um bom índice de aprendizagem.

  3. Maria Marta vidal disse:

    Gostei da sua proposta ,mas temos que avançar no sentido de qualificação do professor.Ver o que os países que alcançam sucesso no Pisa fazem. Por que não fazer também?

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