As medalhas que abrem caminhos

O Brasil termina sua Olimpíada com uma grande festa, muita alegria e emoção. O Rio de Janeiro estava lindo, conseguimos entregar grande parte do que prometemos e mostramos ao Mundo que existem vários jeitos de se fazer uma Olimpíada. No entanto, como escrevi no meu último artigo, os jogos não acabaram com nossos problemas e mazelas, como as desigualdades sociais e as crises política e econômica persistem.

Recentemente, li um artigo de Ana Paula Lisboa que expressava pontos interessantes neste sentido. Segundo o texto, “ficou claro que um dos legados olímpicos mais importantes para essa cidade foi a contradição, e como é bonito que ela tenha aparecido”.

A jornalista destaca as contradições de se comemorar uma medalha de um ginasta que foi acusado de racismo, ou chorar junto com medalhistas brasileiros que batem continência por terem apoio das Forças Armadas. Esses exemplos demonstram o quão complexa é a realidade e o quanto o país precisa superar problemas históricos para se tornar uma nação democrática, justa e livre de discriminação.

Ao defender que compreender a complexidade brasileira exige ir além da dicotomia entre esquerda e direita, Ana Paula termina seu texto alertando: “Não é encontrando a própria tribo, dançando ciranda, gritando em assembleia ou girando bambolê que se muda a cidade: é falando inglês na hora certa e com a pessoa certa”, referindo-se a saber dialogar com o diferente.
É preciso abrir-se para a diversidade, para o inusitado, para o espontâneo e principalmente para uma nova forma de olhar o outro e a nós mesmos. Esse parece ser o caminho da sociedade contemporânea.

Não quero desmerecer os demais campeões olímpicos brasileiros, assim como todos os medalhistas que merecem nosso aplauso. Mas os atletas que mais me marcaram nestes jogos foram Rafaela Silva, Isaquias Queiroz, Maicon de Andrade, Robson Conceição e Thiago Braz. Todos competiram em esportes nos quais o Brasil não tem tradição ou muita popularidade, vieram de comunidades e famílias pobres e ganharam 7 do total de 19 medalhas para o Brasil! Isso é um feito inédito!

Sem cair em clichês, esses cinco atletas tornaram-se referência para nossas crianças e jovens. Participaram de projetos sociais que os impulsionaram e foram além, demonstrando capacidade de superação, disciplina, persistência, esforço e visão de longo prazo – além de habilidades esportivas específicas. Eles mostraram ao Brasil e a cada um de nós que somos muito maiores que o país do futebol. Os atletas reafirmaram como o esporte é uma ferramenta importante de inclusão, e deixaram claro que jovens vindos de famílias de alta vulnerabilidade social conseguiram superar muitas adversidades e serem campeões.

Como escrevi na semana passada, esses exemplos sinalizam que a implementação da Educação Integral nas nossas escolas tem um potencial de abrir novos caminhos para o enfrentamento das desigualdades sociais. Para isso, precisamos que as escolas públicas ofereçam condições básicas de infraestrutura tais como quadras, materiais esportivos, uniformes e bons professores de educação física. Escolas abertas à comunidade podem também fazer parcerias com eventuais clubes da cidade e outros espaços de organizações da sociedade civil.

Levaremos como marca desta Olimpíada cinco medalhas inusitadas. A canoagem, o taekwondo, o judô, o salto com vara e o boxe não possuem os patrocínios e a popularidade do futebol no país, mas nos mostram toda a potência do Brasil e indicam novos caminhos possíveis para as próximas gerações.

Publicado originalmente no UOL Educação 23/08/2016

Coleção Consumo Sustentável

De autoria de Mônica Pilz Borba e Gina Rizpah, a Coleção Consumo Sustentável é destinada a educadores e alunos. Trata-se de uma ferramenta para a inclusão da educação ambiental na rotina escolar, em espaços educativos e comunidades.

Produzida pelo Instituto 5 Elementos, a publicação traz informações e propostas de padrões de consumo que visam reduzir o impacto sobre o meio ambiente por meio de ações, hábitos, atitudes e estilos de vida. Os livros estão adequados à Nova Política Nacional de Resíduos Sólidos e possuem dados atualizados sobre o tema. Os exemplares podem ser adquiridos no site do Instituto (www.5elementos.org.br).

Artigos

História de mulheres

Recentemente, fui convidada para ser júri do Prêmio Claudia, da editora Abril. Apesar de ter 15 anos de existência, não conhecia a fundo a premiação. Esse ano como jurada tive a grata surpresa de ver a qualidade dos trabalhos das finalistas. Escolhas difíceis de fazer Histórias fortes e trabalhos sérios que tem em comum a luta, a determinação, a perseverança e a vontade, de muitas delas, de “cuidar de gente”. Na noite de sexta-feira, fui a premiação na sala São Paulo e surpreendeu-me mais ainda conhecer de perto as finalistas das categorias políticas públicas, negócios, cultura, ciências e trabalho social.

No momento em que tivemos duas mulheres na disputa pela presidência e a eleição da primeira presidenta, um prêmio que homenageia a luta de diferentes personagens por suas histórias e pelas histórias de suas comunidades, de seus pacientes, dos jovens de sua cidade parece ganhar um colorido a mais.

Colorido maior com a presença suave e forte de Lygia Fagundes Telles que aos 87 anos foi a homenageada especial da noite, encerrada com apresentação da Orquestra Bachiana Filarmônica, do maestro João Carlos Martins.

Abaixo o link para o site do prêmio com todas as finalistas. Histórias de vencedoras, que vale a pena conhecer.

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